Se você olhar para um Fiat Toro, um Jeep Compass e um Commander, você vê três carros distintos. Um é picape utilitária, outro é um SUV urbano e o terceiro é um SUV de luxo de sete lugares. Se você olhar para um Citroën C3, um Peugeot 2008 e um Fiat Pulse, a confusão aumenta: marcas diferentes, propostas diferentes, públicos que mal se cruzam.
Mas, nos bastidores da fábrica, a história é outra. Todos eles saem das linhas de montagem da Stellantis compartilhando plataformas, motores e tecnologias. A engenharia é a mesma. O metal é o mesmo.
Por que o produto não é o dono da margem?
A pergunta que fica é: se o chassi é o mesmo, por que o preço é tão diferente? Por que o cliente de um Commander não aceitaria um C3, mesmo que o motor tivesse a mesma potência?
A resposta está no Branding. A fábrica entrega o "corpo" (commodity), mas a marca entrega a "alma" (narrativa). O Jeep vende aventura e tradição. A Fiat vende praticidade e custo-benefício. A Peugeot vende design e sofisticação europeia. No final do dia, a Stellantis não vende carros; ela gerencia percepções.
A provocação: e o seu negócio?
Você, empresário, muitas vezes tem um produto que é "tecnicamente" o melhor. Mas na hora de vender, você cai na armadilha de mostrar apenas a ficha técnica, os parafusos e o preço.
Se as grandes montadoras — que possuem bilhões para gastar em engenharia — investem pesado em Branding para garantir que cada cliente pague exatamente o que a marca promete, por que a sua empresa continua competindo apenas por preço?
Se você não criar uma narrativa forte, o mercado vai te transformar em uma commodity. E commodities não têm margem. Elas só têm custo.